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Túmulo, Estátua e a Igreja onde está enterrado Pedro Álvares Cabral

  • 4 de dez. de 2015
  • 2 min de leitura

Em Santarém – na altura a segunda cidade do Reino – instala-se na moradia que hoje é conhecida como Casa Do Brasil, no agora chamado Largo Pedro Álvares Cabral. Morreu por volta de 1520, relativamente esquecido, e foi sepultado em campa rasa num túmulo provisório. Quando faleceu a sua esposa, Dona Isabel de Castro, em 1538, o corpo do marinheiro foi exumado e a família Cabral ganhou um jazido definitivo na Igreja da Nossa Senhora da Graça

Na lápide tumular recordam-se apenas os méritos de Isabel de Castro e não referem uma só palavra sobre os feitos de Pedro Álvares Cabral, como a descoberta do Brasil, proeza que lhe garantiu um lugar na História. O facto dos escritos homenagearem apenas a esposa do marinheiro, leva a que alguns estudiosos digam que isso é a prova da obscuridade a que Cabral foi submetido nos últimos anos de vida. Orgulhoso, irascível e conflituoso, Cabral provocou várias contendas na corte lisboeta do seu tempo e criou inimizades um pouco por todo o lado. As suas famosas crises de mau humor seriam provocadas por febres crónicas, doença que o perseguia desde os 17 anos de idade, quando lutou em Marrocos e contraiu Malária. O jazigo foi aberto em Agosto de 1882 para confirmar a presença de Cabral e foram encontradas três ossadas humanas, duas masculinas e uma feminina. Supõe-se que além do casal, o terceiro esqueleto pertenceria a um dos filhos que morreu pouco depois do pai. A falta de recursos na época não permitiu qualquer conclusão sobre a identificação dos corpos. Causou ainda estranheza a presença do esqueleto de uma cabra no interior do túmulo, mas para muitos isso provava que dentro daquela sepultura jazia Pedro Álvares Cabral: o escudo dos cabrais ostenta dois destes animais. No panteão dos cabrais, em Belmonte, existe igualmente uma arca tumular de granito que contém cinzas retiradas do túmulo de Pedro Álvares Cabral localizado na Igreja da Graça em Santarém. Foram oferecidas em 1961 pela Câmara de Santarém. Apesar dos vestígios em Portugal, no Brasil há quem garanta que aqui também se encontram restos mortais de Cabral. Por volta de 1903 foi reaberto o jazigo da Igreja da Graça. Desta vez o sepulcro continha oito corpos, cinco ossadas masculinas, uma feminina e duas de crianças. Segundo historiadores brasileiros optou-se por uma solução simplista: dividiram-se os ossos, formaram-se dois esqueletos completos. Um ficou em Portugal e outro terá sido depositado na Igreja do Carmo, antiga Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.

Estudiosos portugueses apontam outra justificação para a existência desta urna. A própria lápide brasileira não refere restos mortais, mas sim ‘resíduos mortuários’, que seriam terra retirada do túmulo original e guardada numa urna que fora levada para o Brasil. Oficialmente nunca foi autorizada qualquer transladação. Carlos Quintino


 
 
 

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